Livre, leve e solta! 9 mitos e verdades sobre a masturbação feminina

 

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A masturbação sempre fez parte da vida do ser humano. Sabia que nós somos espécie campeã em prazer sexual? Por uma série de motivos, mas principalmente por questões ligadas ao cérebro. Imagine, por exemplo, uma criança que acaba de descobrir a sensação que tem ao mexer em suas partes íntimas. Esse ato de prazer é diferente de quando essa criança cresce, se torna um adolescente e tem total consciência de que está se tocando para provocar essa euforia. Isso é masturbação: o ato de se tocar com a intenção erótica de provocar o próprio prazer.

A masturbação feminina, entretanto, sempre foi mais julgada que a masculina. A principal desculpa usada por muita gente até hoje é que o homem tem essa propensão natural para o sexo, como se a mulher não tivesse essa capacidade. Na verdade, esse pensamento machista se moldou ao longo do tempo, já que as mulheres sempre foram muito reprimidas sexualmente. Você sabia que, na Idade Média, a masturbação não só era considerada um pecado, como as garotas eram punidas por isso? Esse histórico contribuiu para que o assunto virasse um tabu e fosse pouco discutido dentro de casa, nas escolas, na rodinha de amigas. É justamente essa falta de informação que faz com que muitas meninas acabem acreditando em notícias falsas. Em entrevista à CAPRICHO, a Dra. Mariana Maldonado, ginecologista e especialista em sexualidade, desmistifica alguns mitos e confirma algumas verdade sobre o assunto.

1. Masturbar-se faz mal à saúde.

MITO. Não existe nenhum dado científico que comprove que a masturbação seja maléfica, como muitos pensam. Na realidade, diversos médicos acreditam que a garota passa a se sentir mais confiante depois de conhecer o próprio corpo. “É com a masturbação que a gente começa a se tocar e sentir quem somos, as sensações que podemos ter, os níveis de intensidade, o que nos agrada e o que não é tão legal assim”, esclarece a Dra. Mariana.

2. Existe um limite seguro.

VERDADE, mas com certas ressalvas. Nós já aprendemos que não há nada de errado em se masturbar e, inclusive, algumas pessoas se masturbam todos os dias. Isso não é um problema. O negócio só começa a complicar quando o ato começa a atrapalhar a vida pessoal de quem o pratica. “A menina não quer mais saber de estudar, de se divertir, de interagir com outras pessoas. A masturbação acaba virando um vício. Ou seja, um ator compulsório que atrapalha outras atividades”, esclarece a terapeuta. Esse é o limite seguro da masturbação. Do contrário, não há ressalvas! Só não é muito legar se masturbar logo depois de comer um pratão de feijoada, por exemplo, porque a sensação não vai ser tão legal. Já pensou?!

3. A masturbação ajuda a combater a insônia.

MITO. De acordo com a Dra. Mariana, o ato em si não tem nenhuma ligação direta com o sono. O que acontece é que depois de você atingir o pico do prazer (ou seja, ficar com a respiração e os batimentos cardíacos acelerados e, enfim, ter um orgasmo), sente-se completamente relaxada. É como se todo o corpo ficasse zen. É esse relaxamento que, eventualmente, faz as pessoas dormirem melhor.

4. Ela acaba com o desejo sexual.

MITO. “Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”, brinca a ginecologista. Quando você se masturba, busca um ato de prazer solitário. Isso não significa que a longo prazo vá sentir-se completamente satisfeita consigo mesma e ignorar o prazer a dois. Apesar de algumas mulheres sentirem mais facilmente prazer se masturbando, os desejos e as sensações que você tem ao interagir com outra pessoa são muito diferentes. A masturbação não interfere na vida sexual a dois, a menos que ela se torne uma espécie de fuga para problemas amorosos. Daí, sim, vai causar um isolamento. Mas concorda que, nesse caso, o problema estaria mais na pessoa que na masturbação em si?

5. Dá para ter um orgasmo fazendo atividades físicas.

VERDADE. Parece louco, né? Mas algumas pessoas realmente atingem aquele pico do prazer ao fazer uma sequência muito intensa de abdominais, por exemplo, ou durante uma aula de spinning. “Essa sensação de orgasmo é algo muito peculiar e cada um tem uma forma diferente de chegar lá, que pode ser por contato ou contração”, esclarece a doutora. Não significa, porém, que seja uma regra geral, ok?

6. Há diferenças entre se masturbar apenas estimulando o clitóris e se masturbar introduzindo coisas na vagina.

VERDADE. O ato de se masturbar é o mesmo, mas os estímulos são diferentes. “O toque na região do clitóris causa uma sensação diferente, porque essa partezinha do corpo, que só serve para dar prazer, é extremamente enervada. Quando você introduz algo na vagina, tem outra sensação”, explica a especialista, que ainda ressalta que todo o corpo tem essa capacidade de despertar desejos. Há pessoas que, inclusive, atingem o prazer ao se tocarem nos seios. É importante ressaltar aqui que você não pode sair colocando qualquer objeto em sua vagina, pois além de ser perigoso, não é nada higiênico. Há ~brinquedinhos~ específicos para isso – e, na mais simples das hipóteses, você pode usar o dedo. Se for virgem, no entanto, seja mais cuidadosa, pois pode acontecer de você acabar rompendo o hímen sem querer. Você não deixa de ser virgem por isso, mas pode sangrar um pouquinho e você ficar encanada.

7. É preciso visitar um ginecologista depois de se masturbar pela primeira vez.

MITO. “Em termos de recomendação médica, o indicado é que a garota visite um ginecologista após a sua primeira menstruação e antes de ter a primeira relação sexual”, garante a Dra. Mariana, pois assim a menina se sente mais preparada e segura, e pode tirar todas as dúvidas que tem sobre sexo. Você não precisa se consultar com um médico só porque se masturbou. Relaxa!

8. É normal sentir o coração acelerado e um incomodo na barriga depois de se masturbar.

VERDADE, mas isso não é uma regra. Depois de sentir aquele pico de prazer, você vai ter algumas reações: o coração vai bater mais depressa, sua respiração vai ficar mais afobada, você vai sentir um leve inchaço e um bombeamento de sangue na região vaginal. Contudo, a Dra. Mariana garante que cada pessoa responde ao orgasmo de uma maneira. “Já tive pacientes que relataram dores de cabeça, cólicas, vontade de ir ao banheiro e inclusive crises de espirro”, conta. Ou seja, não há uma regra e algumas pessoas sentem reações mais esquisitas. Se algo te incomodar muito, entretanto, vale marcar uma consulta com o ginecologista. A masturbação em si não vai desencadear nenhum problema, mas ela pode ressaltar algum problema que você já tenha, como arritmia ou coisa do tipo. Mas é algo dificílimo de acontecer.

9. Masturbação gera culpa.

MITO E VERDADE. Cientificamente falando, não há nada de errado em se masturbar e, consequentemente, não tem por que se sentir culpada. Contudo, por questões religiosas e culturais, muita gente considera o ato de se masturbar pecaminoso. Essa é uma discussão que vai muuuuito além! O que podemos afirmar é que muitas pessoas acham que a masturbação feminina é um tabu, enquanto trata a masculina como algo natural. Isso só tem um nome: machismo. “Meninas são repreendidas dentro de casa e do círculo de amizade”, esclarece a Dra. Mariana Maldonado, que ainda ressalta que a falta de informação também pode gerar uma espécie de peso na consciência. “Mas por que vincular culpa ao prazer?”, questiona. Talvez aí esteja a resposta para esta polêmica discussão.

 

 

Fonte: Capricho

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